É preciso que se esclareçam as dúvidas acerca das semelhanças e diferenças das colorações partidárias. O vermelho significa a luta pela superação da desigualdade dos poucos privilegiados da elite sobre os muitos desafortunados no trabalho. A transferência de poder de uma classe para outra, fortalecendo o Estado, agora a serviço dos trabalhadores, representa a tese vermelha da superação da desigualdade, prevalecendo o interesse coletivo. Tal revolução, mudança drástica e repentina no modo de ser e na ordem das coisas, seria dolorosa e sangrenta, o que poderia ser evitado para os moderados de tom azul, amarelo, branco, vermelho, ou mesmo verde, adeptos da mudança por estágios ou fases, através de reformas sucessivas e gradativas. Tais reformas, objeto da discórdia partidária, estariam na base da mudança social na direção da superação das injustiças, ponto em comum no arco-íris partidário. Nenhum conservador seria tão conservador ao ponto de não admitir mudanças, e nenhum progressista seria tão inovador ao ponto de não permitir que se mantivessem as conquistas já consagradas, ou seja, esquerda e direita, não seriam posições tão extremas e absolutas. Aliás, é bom que se esclareça, “à esquerda” era apenas a posição que tomavam os reformadores sociais, os progressistas, cujo número de votos era maioria, durante a revolução francesa, facilitando assim a contagem, estando “à direita” os que minoritariamente votavam nessas questões, classificados supostamente como conservadores, ainda que considerados revolucionários com relação ao regime anterior. O sentido moderno do termo “à esquerda” adquire agora uma postura muito mais radical e estruturante quanto à formação social defendida, seja ela socialista/comunista ou reformista/conservadora, do que àquela da tumultuada conjuntura dos tempos revolucionários. Os socialistas italianos e franceses, por exemplo, seriam muito mais “conservadores” que os socialistas brasileiros de matriz marxista-leninista-stalinista, portanto, mais “progressistas”. Isto posto passemos a avaliar as diferenças e semelhanças entre os vermelhos e os verdes. Para os verdes, o partido é apenas um instrumento da ecologia política a serviço da transformação concreta da realidade social, ou seja, um canal institucional para a ação política em defesa do ambiente sustentável, sem nenhuma pretensão hegemônica ou instrumentalizante, o que os afasta dos vermelhos, e da luta político-partidária tradicional. Já na solidariedade com os excluídos, oprimidos, e discriminados, e na redistribuição de renda, fortalecimento do poder regulador estatal, e na defesa da justiça social, verdes e vermelhos se alinham perfeitamente, diferindo apenas no projeto de sociedade, ao que os verdes chamam de ecodesenvolvimento. Os vermelhos defendem a disputa pela hegemonia na sociedade, representando uma alternativa real de poder, na qual os trabalhadores como classe hegemônica e dominante com seu partido único, contrapondo-se ao capitalismo, instaurariam uma sociedade democrática e socialista. A diferença fundamental que colocam verdes e vermelhos em oposição está no respeito à autonomia, solidariedade, e fraternidade, no internacionalismo ambientalista e na defesa de formas supranacionais de democracia, defendidos pelos verdes, em detrimento à conquista do poder pelo poder, este somente admitido como condição para a execução do Programa Verde de sustentabilidade econômica, social, e ambiental. Estando as cores e as idéias na posição correta, nos cabe agora decidir se somos verdes ou vermelhos, e se queremos o poder pelo poder, ou se realmente defendemos a ecologia política. Que não restem dúvidas aos desavisados e que não pairem sombras sobre o amadorismo político dos amantes do poder, agora travestidos de verde. Façamos logo, a Reforma Verde, e que ninguém amarele!
Domingo, Setembro 13, 2009
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