Domingo, Setembro 13, 2009

A “Reforma Verde”

A Reforma Verde tão desejada por aqueles que acreditam na transformação da sociedade em direção a um mundo sem injustiças, com equidade social, respeito ao meio ambiente, e numa economia justa, passa por uma mudança social profunda, mas principalmente, por uma mudança política. Vivemos a democracia antiga, passamos pelos feudos, criamos o capitalismo, sonhamos com o comunismo, e aspiramos uma sociedade sustentável. A mudança política passa pelo redimensionamento do papel do indivíduo, agora, recolocado no mundo como responsável pelo equilíbrio da própria vida. Nossa primeira morada é o nosso próprio corpo, e primeiro dele devemos cuidar, começando pela manutenção da saúde, que implica em regras básicas de higiene e segurança alimentar, o que nos remete a busca por alimentos em quantidade e qualidade satisfatórias, numa moradia digna, num ambiente saudável e numa família estruturada. O consumo consciente e sustentável, o comércio justo, a agricultura orgânica, a economia solidária, são algumas das experiências concretas que buscam se materializar nessa luta por uma maior qualidade de vida. Nossa segunda morada, antes da própria cidade, estado, pais, ou planeta, é a nossa casa, da qual devemos cuidar e estarmos conscientes quanto aos seus impactos gerados, o que implica também em sermos responsáveis pela escolha do local de construção, dos materiais e técnicas utilizados, das práticas de relacionamento entre patrões e empregados na construção, e pelos resíduos gerados como o lixo e o esgoto, além do tipo e consumo de água e energia. São essas e outras pequenas ações que fazem uma enorme diferença e podem nos aproximar da dita “Reforma Verde”. Podemos cuidar do nosso lixo, separando o orgânico do seco, e exigindo da prefeitura que lhe dê uma destinação final adequada. Isso pode ser feito através de projeto de lei municipal, na câmara de vereadores, e com o apoio à organização de catadores em associações e cooperativas, o que de quebra gera ocupação e renda, afastando do risco social e da violência dezenas de pessoas. Outra atitude é exigir produtos mais saudáveis e comprar àqueles que têm origem na produção coletiva, como os das cooperativas e associações de assentamentos, numa lógica de comércio justo e economia solidária, ajudando assim a afastar da marginalidade e a manter no campo milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais e suas famílias, que sem moradia, renda e ocupação, poderiam vir a constituir a pobreza e a miséria urbanas. Engajar-se, por exemplo, numa luta em defesa de uma causa social ou ambiental, organizar-se em associações, é mais outra forma inteligente de contribuir para a “Reforma Verde”, obrigando ao Poder Público a mudar o foco e a direcionar as políticas públicas para o interesse coletivo. São exemplos disso as organizações de direitos humanos, de defesa ambiental, de combate à DST/AIDS, e as de usuários de água e saneamento. Todas essas mudanças de atitude política podem fazer com que nossas cidades venham de fato a ser sustentáveis e contribuir para que no campo o corrente processo de urbanização não repita os males que agora nos afligem como a segregação sócio-espacial e os respectivos impactos ambientais negativos que nos tornam reféns das nossas próprias atitudes. A cidade sustentável que queremos passa pela discussão do conceito de metrópole, sobre a própria viabilidade desse modelo e dos significados adquiridos em torno da questão, mas principalmente deve dar conta dos padrões de qualidade ambientais desejados e social e politicamente estabelecidos por cada um e cada uma dos seus habitantes. Esse é o nosso principal desafio.

1 comentários:

Anônimo disse...

O desenvolvimento sustentável passa por um consumo consciente e o mode de produção. No meu blog eu escrevi algo a respeito < http://cafecomsociologia.blogspot.com/2010/06/criacao-bovina-e-meio-ambiente-por-uma.html >
Sei que a mudança é algo muito difícil, mas vamos fazer nossa parte.

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