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Segunda-feira, Setembro 28, 2009
Arquivos para Download sobre Gerenciamento de Projetos e Gestão de OTS
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Pasta /Gerenciamento de Projetos
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Gerenciamento de Projetos
Domingo, Setembro 27, 2009
Porque rio do Pré-Sal!
Deu na Newsweek de 28 de setembro de 2009. Gordon Brown: "My Plan To Save The World" (Meu Plano para Salvar o Mundo), Primeiro-Ministro do Reino Unido. "We must act now" (Nós temos que agir AGORA):
Faltam 11 semanas para a convenção de Copenhagem, nosso ultimato de cooperação para salvar o planeta. Precisamos do LCP - Low Carbon Project (Projeto Carbono Zero). Um acordo forte em Copenhagem é essencial para a recuperação econômica global. Não resta dúvida de que a economia do século 21 será a de baixo-carbono. As economias que abraçarem mais cedo as diretrizes da "descarbonização", serão as maiores beneficiadas economicamente. Maior eficiência energética trará maiores ganhos de produtividade e os recursos economizados na mudança da matriz energética serão redirecionados aos investimentos, e serão mais de 33 trilhões de dólares até 2030, sendo 7 trilhões até 2015 e 10 milhões de empregos. Talvez o mais importante elemento desse futuro de baixo-carbono seja a inovação que acompanha a "descarbonização". Assim como a revolução tecnológica na informação e comunicação foi o maior motor de crescimento nos últimos 30 anos, as transformações para as tecnologias de baixo-carbono, serão responsáveis pela dinâmica das próximas décadas. A estratégia da economia de baixo-carbono tem um tripé: crescimento e emprego sustentados; redução de emissão de gases do efeito estufa; incremento da segurança energética. Estas são as tendências globais. UK, US, Australia, India, China, Japão, todos têm investido na criação de mercados de carbono e na eficiência energética. Pela primeira vez, ano passado, as nações do mundo investiram mais em energias renováveis do que em combustíveis fósseis, que representam investimentos instáveis politicamente e de alto risco econômico. Por todas estas razões acima levantadas é que não consigo aceitar a miopia oitocentista dos defensores do pré-sal pelo pré-sal e rio deles. O mundo todo já dá claramente o seu recado noutra direção: a economia de baixo-carbono. Para os céticos e os defensores da involução pré-salineira darei um exemplo mais didático. Um único automóvel movido a combustíveis fósseis, queima mais da metade desse combustível para gerar calor e desperdiça outro tanto no atrito dos pneus no solo, nos discos de freio, e libera gases na atmosfera, já que a combustão não é completa. Da energia realmente transformada em movimento que é transmitida às rodas pelos eixos parte também se perde no processo. No final dessa conta, a energia útil, aquela revertida em movimento, transporta mais ferro (lataria mesmo, pois um carro pesa mais de quatrocentos quilos, sendo um modelo leve), do que gente. Cerca de apenas 1% dela é que leva proporcionalmente o peso de um ser humano. Nem precisamos falar do sonho que toda essa massa de brasileiros que ascendeu às classes A, B, e C tem de comprar um carro, e se levarmos em conta o hábito de nossa classe média de cada um ter o seu próprio veículo, vamos falar em muito, mas muito desperdício energético mesmo, que por sua vez gera insalubridade ambiental que se multiplica por todo esse círculo industrial vicioso que representa a indústria de artefatos de manutenção e de acessórios automotivos. É realmente uma pena termos de nos esforçar tanto, como militantes verdes, para demonstrar o óbvio. Somos estúpidos quanto se trata de usar bem aquilo que temos, e que em matéria de energia tal desperdício já está provado. Para os desavisados, Petróleo é energia. O maior problema, entretanto, é que somos mais estúpidos ainda por não usarmos aquilo que nos é mais precioso e que nos é dado gratuitamente: o bom senso e a inteligência!
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Desenvolvimento e Sustentabilidade
Sábado, Setembro 19, 2009
Do pré-sal ao pós-carbono (Por Marina Silva*)
A descoberta do petróleo no pré-sal e suas consequências para o Brasil são assuntos de enorme importância, mas estão sendo discutidos de maneira que mais confunde do que esclarece. Os recursos advindos dessa descoberta deveriam ajudar o país a construir os meios para a superação, ao longo do tempo, da dependência das energias fósseis e do modelo de desenvolvimento que elas simbolizam. Que produz bens e riqueza material e também pobreza extrema, degradação dos recursos naturais, poluição, doenças. E se escora em razões que parecem se bastar, sem levar em conta que tornam praticamente inalcançável, para a maioria das pessoas, uma vida digna e saudável.É absurdo não perceber que a nova fonte de petróleo, que ainda será estratégico e indispensável por décadas, deveria servir ao propósito inovador de criar as condições de trânsito para aquilo que se mostra cada vez mais inescapável: uma economia de baixo carbono e uma sociedade pós-ideologia do consumo. Para chegar a esse futuro, é fundamental entendermos hoje como as prioridades se relacionam. Tomemos a educação no Brasil. Precisa estar no topo das prioridades, não apenas para ser um sistema mais eficiente do ponto de vista tradicional, mas, sim, para colocar crianças e jovens em diálogo com os novos paradigmas que serão a marca deste século. Por sua vez, isso depende de pesquisa científica e tecnológica para o desenvolvimento de novos materiais, fontes de energia renovável e práticas produtivas baseadas nos amplos recursos naturais de que o Brasil dispõe. Nessa nova sociedade, a redução da pobreza e das desigualdades sociais será objetivo indissociável da educação de qualidade, da capacidade tecnológica, da sustentabilidade socioambiental, venham os recursos de onde vierem.O ufanismo com os números do pré-sal não pode jogar para debaixo do tapete a necessidade de mitigar a emissão de carbono, ampliando o combate ao desmatamento e os programas de reflorestamento. A novidade, a rigor, só aumenta nossa responsabilidade ética em propor metas obrigatórias de emissão de carbono em Copenhague, no final deste ano. Pré-sal e o papel do Brasil em Copenhague não são assuntos estanques. São a mesma equação, embora a discussão em curso não reflita isso. O desenho de um novo Brasil não pode estar contido na camisa de força da tramitação em regime de urgência do marco legal do pré-sal, feita para contemplar cronogramas políticos e sem a participação da sociedade, essencial porque estamos numa democracia e porque as questões reais precisam ter, pelo menos, chance de vir à tona. * Marina Silva é senadora e ex-ministra do meio ambiente. Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo de 07-09-2009.
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Desenvolvimento e Sustentabilidade
Domingo, Setembro 13, 2009
A “Reforma Verde”
A Reforma Verde tão desejada por aqueles que acreditam na transformação da sociedade em direção a um mundo sem injustiças, com equidade social, respeito ao meio ambiente, e numa economia justa, passa por uma mudança social profunda, mas principalmente, por uma mudança política. Vivemos a democracia antiga, passamos pelos feudos, criamos o capitalismo, sonhamos com o comunismo, e aspiramos uma sociedade sustentável. A mudança política passa pelo redimensionamento do papel do indivíduo, agora, recolocado no mundo como responsável pelo equilíbrio da própria vida. Nossa primeira morada é o nosso próprio corpo, e primeiro dele devemos cuidar, começando pela manutenção da saúde, que implica em regras básicas de higiene e segurança alimentar, o que nos remete a busca por alimentos em quantidade e qualidade satisfatórias, numa moradia digna, num ambiente saudável e numa família estruturada. O consumo consciente e sustentável, o comércio justo, a agricultura orgânica, a economia solidária, são algumas das experiências concretas que buscam se materializar nessa luta por uma maior qualidade de vida. Nossa segunda morada, antes da própria cidade, estado, pais, ou planeta, é a nossa casa, da qual devemos cuidar e estarmos conscientes quanto aos seus impactos gerados, o que implica também em sermos responsáveis pela escolha do local de construção, dos materiais e técnicas utilizados, das práticas de relacionamento entre patrões e empregados na construção, e pelos resíduos gerados como o lixo e o esgoto, além do tipo e consumo de água e energia. São essas e outras pequenas ações que fazem uma enorme diferença e podem nos aproximar da dita “Reforma Verde”. Podemos cuidar do nosso lixo, separando o orgânico do seco, e exigindo da prefeitura que lhe dê uma destinação final adequada. Isso pode ser feito através de projeto de lei municipal, na câmara de vereadores, e com o apoio à organização de catadores em associações e cooperativas, o que de quebra gera ocupação e renda, afastando do risco social e da violência dezenas de pessoas. Outra atitude é exigir produtos mais saudáveis e comprar àqueles que têm origem na produção coletiva, como os das cooperativas e associações de assentamentos, numa lógica de comércio justo e economia solidária, ajudando assim a afastar da marginalidade e a manter no campo milhares de trabalhadores e trabalhadoras rurais e suas famílias, que sem moradia, renda e ocupação, poderiam vir a constituir a pobreza e a miséria urbanas. Engajar-se, por exemplo, numa luta em defesa de uma causa social ou ambiental, organizar-se em associações, é mais outra forma inteligente de contribuir para a “Reforma Verde”, obrigando ao Poder Público a mudar o foco e a direcionar as políticas públicas para o interesse coletivo. São exemplos disso as organizações de direitos humanos, de defesa ambiental, de combate à DST/AIDS, e as de usuários de água e saneamento. Todas essas mudanças de atitude política podem fazer com que nossas cidades venham de fato a ser sustentáveis e contribuir para que no campo o corrente processo de urbanização não repita os males que agora nos afligem como a segregação sócio-espacial e os respectivos impactos ambientais negativos que nos tornam reféns das nossas próprias atitudes. A cidade sustentável que queremos passa pela discussão do conceito de metrópole, sobre a própria viabilidade desse modelo e dos significados adquiridos em torno da questão, mas principalmente deve dar conta dos padrões de qualidade ambientais desejados e social e politicamente estabelecidos por cada um e cada uma dos seus habitantes. Esse é o nosso principal desafio.
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Desenvolvimento e Sustentabilidade
Entre o Vermelho e o Verde
É preciso que se esclareçam as dúvidas acerca das semelhanças e diferenças das colorações partidárias. O vermelho significa a luta pela superação da desigualdade dos poucos privilegiados da elite sobre os muitos desafortunados no trabalho. A transferência de poder de uma classe para outra, fortalecendo o Estado, agora a serviço dos trabalhadores, representa a tese vermelha da superação da desigualdade, prevalecendo o interesse coletivo. Tal revolução, mudança drástica e repentina no modo de ser e na ordem das coisas, seria dolorosa e sangrenta, o que poderia ser evitado para os moderados de tom azul, amarelo, branco, vermelho, ou mesmo verde, adeptos da mudança por estágios ou fases, através de reformas sucessivas e gradativas. Tais reformas, objeto da discórdia partidária, estariam na base da mudança social na direção da superação das injustiças, ponto em comum no arco-íris partidário. Nenhum conservador seria tão conservador ao ponto de não admitir mudanças, e nenhum progressista seria tão inovador ao ponto de não permitir que se mantivessem as conquistas já consagradas, ou seja, esquerda e direita, não seriam posições tão extremas e absolutas. Aliás, é bom que se esclareça, “à esquerda” era apenas a posição que tomavam os reformadores sociais, os progressistas, cujo número de votos era maioria, durante a revolução francesa, facilitando assim a contagem, estando “à direita” os que minoritariamente votavam nessas questões, classificados supostamente como conservadores, ainda que considerados revolucionários com relação ao regime anterior. O sentido moderno do termo “à esquerda” adquire agora uma postura muito mais radical e estruturante quanto à formação social defendida, seja ela socialista/comunista ou reformista/conservadora, do que àquela da tumultuada conjuntura dos tempos revolucionários. Os socialistas italianos e franceses, por exemplo, seriam muito mais “conservadores” que os socialistas brasileiros de matriz marxista-leninista-stalinista, portanto, mais “progressistas”. Isto posto passemos a avaliar as diferenças e semelhanças entre os vermelhos e os verdes. Para os verdes, o partido é apenas um instrumento da ecologia política a serviço da transformação concreta da realidade social, ou seja, um canal institucional para a ação política em defesa do ambiente sustentável, sem nenhuma pretensão hegemônica ou instrumentalizante, o que os afasta dos vermelhos, e da luta político-partidária tradicional. Já na solidariedade com os excluídos, oprimidos, e discriminados, e na redistribuição de renda, fortalecimento do poder regulador estatal, e na defesa da justiça social, verdes e vermelhos se alinham perfeitamente, diferindo apenas no projeto de sociedade, ao que os verdes chamam de ecodesenvolvimento. Os vermelhos defendem a disputa pela hegemonia na sociedade, representando uma alternativa real de poder, na qual os trabalhadores como classe hegemônica e dominante com seu partido único, contrapondo-se ao capitalismo, instaurariam uma sociedade democrática e socialista. A diferença fundamental que colocam verdes e vermelhos em oposição está no respeito à autonomia, solidariedade, e fraternidade, no internacionalismo ambientalista e na defesa de formas supranacionais de democracia, defendidos pelos verdes, em detrimento à conquista do poder pelo poder, este somente admitido como condição para a execução do Programa Verde de sustentabilidade econômica, social, e ambiental. Estando as cores e as idéias na posição correta, nos cabe agora decidir se somos verdes ou vermelhos, e se queremos o poder pelo poder, ou se realmente defendemos a ecologia política. Que não restem dúvidas aos desavisados e que não pairem sombras sobre o amadorismo político dos amantes do poder, agora travestidos de verde. Façamos logo, a Reforma Verde, e que ninguém amarele!
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