Quando falamos de Marina Silva no contexto das eleições, personalizamos muito o debate e nos afastamos das reais razões pelas quais, acredito eu, seja importante a sua presença naquele debate e no próprio pleito. As eleições de 2010 estão marcadas por um único sentimento: não existem candidato(a)s pelos quais os eleitores se apaixonem e acreditem serem os ideais, como o fizeram com o Lula. E sabem por quê? Porque Lula encerrou um período histórico de mais de 20 anos de luta pela democracia e de sonhos com um futuro melhor, mais justo, e principalmente, mais ético, na política brasileira. Quanto ao mais justo, é preciso reconhecer, que aí reside seu maior trunfo e o favoritismo de sua provável sucessora, Dilma Rousseff. Quanto ao quesito "ÉTICA", aqui residem todas as nossas angústias e decepções, por aquele partido, o PT, ter rasgado esta bandeira e sepultado nossas esperanças, inclusive agora, quando eleitoralmente está aliado aos Sarney, Collor, Barbalho, e Calheiros, que tanto combatia num passado recente. É preciso também reconhecer que houve avanço na democracia e no cenário econômico e que estes não surgiram apenas depois de 2003 com a Era Lula, conforme nos querem inutilmente fazer crer. No cenário eleitoral atual temos TRÊS candidaturas principais e DUAS delas são mulheres e têm origem na mesma corrente ideológica que fez com que o Lula fosse Presidente e inaugurasse o período histórico da Democracia Popular, como gostam de fazer constar nos documentos. Democracia Popular também é, ideologicamente, uma das fases necessárias, do ponto de vista histórico, da construção de uma sociedade socialista, que ninguém tem hoje a coragem e a dignidade de abertamente defender (exceto os ditos radicais de esquerda e ultrapassados, ridicularizados pelos próprios petistas como: PSOL, PSTU, PCB e PC do B). Mascaram sua origem socialista e pior ainda ameaçam seus opositores ideológicos, tanto pela direita, PSDB e DEM, como pela esquerda, PPS, PDT, e partes do PT e PV, com o terrorismo econômico-político, uma nova modalidade de promover o sentimento de culpa cristã na população brasileira, especialmente junto àqueles que não apóiam suas táticas, discordam de sua estratégia, e principalmente, que se opõem a sua não realização de autocrítica e ao esconderijo dos erros sob a égide de um bem maior contra o qual os pré-julgam como opositores, que seria o bem-estar econômico e a estabilidade do governo. O Governo Lula usa abertamente o terrorismo econômico-político como bandeira na defesa de sua manutenção no Poder na campanha de Dilma à Presidência. As outras candidaturas ou significam atraso, ou significam infantilidades perante o que realmente importa, qual seja, a estabilidade econômica. Tudo coerente do ponto de vista ideológico, já que segundo o marxismo, é a economia que determina em última instância o modo de vida das pessoas e a formação social de uma época histórica. O problema é que parece que a leitura do livro marxista foi interrompida pela metade, e o gosto pequeno burguês pelo Poder e suas regalias transformaram o PT e o seu maior líder e Presidente, numa espécie de frente demagogo-populista, que promete e dá por um lado e retira pelo outro (FUNDEB versus FPM, por exemplo), e que faz aos menos capazes, tudo aquilo que possa influenciar numericamente as eleições e que seja necessário para mantê-los felizes, ou seja, pão (materialidade), água (fluidez), e circo (imaginação). O Presidente sendo um exímio orador e um comunicador popular nato faz, com seus malabarismos de mídia e marketing, manter nas alturas seus níveis de popularidade, calando os intelectuais que embora frustrados, assumem o discurso dos “números” e por terem sido co-participes da construção do “regimen” não insistem na crítica necessária, por um sentimento de culpa cristão de que se assim o fizerem, estariam sendo contra os mais pobres, pois estes, os intelectuais, são a elite e foram habilmente beneficiados pelas políticas de investimento no setor público e privado, das linhas de financiamento aos investimentos nas universidades e aos ganhos reais de salário e de sua inserção no cenário internacional (inclusive com intercâmbios e bolsas). Investimentos salutares e plausíveis do ponto de vista quantitativos, mas qualitativamente desfocados de um rumo (a exemplo do REUNI) e prumo estratégicos capazes de fazer do Brasil uma nação autônoma e respeitada por seus próprios méritos, dando ao mundo uma alternativa à crise iminente de sustentação socioambiental do modelo de desenvolvimento baseado na exploração da mão-de-obra barata e disponível e nos recursos naturais inesgotáveis. Aí residem os principais e insolúveis gargalos de desenvolvimento do Brasil como nação, dentro deste modelo: a capacitação tecnológica dos trabalhadores (sempre fadada ao atraso histórico geopoliticamente equacionado pela matriz produtiva) e a exploração racional da natureza (limitada pelos recursos terrestres). É por isto que se fazia muito importante a candidatura de Marina Silva à Presidência da República, mas parece ter esta, também embarcado na defesa dos interesses menores, sejam religiosos, político-partidários, ou empresariais neo-sustentabilistas, e que pouco empolgaram até agora no debate, e que foi incapaz de posicionar-se ideologicamente para além do discurso, à frente, seja dos neo-populistas de esquerda, ou dos neo-esquerdistas de direita. Falar de maneira crítica sobre Marina, não é falar da pessoa que tem história e trajetória exemplares, mas do que representa a sua candidatura no cenário ideológico e na projeção estratégica de um Brasil do futuro que até Dilma parece desconhecer em seu programa de governo (apesar do Plano Brasil 2022 do próprio Governo Federal), ou seja, mais do mesmo. O Brasil ainda está por aguardar novos líderes, que quem sabe, poderão surgir dos debates nacionais que nos aguardam, e do exercício da democracia participativa, nos quais acredito ser a Governança, como estratégia política de radicalização da democracia na gestão social dos territórios, um artifício capaz de promover.
É verdade... Marina parece ser umdos melhores nomes... Porém no futuro ela poderá voltar...
ResponderExcluir