Hoje celebramos o “11 de setembro”. A CNN, em rede mundial, clama pela comoção e coloca dúvidas em nossas mentes sobre o que poderia ter dado errado e o porquê de alguém ter sido capaz de tanta brutalidade contra inocentes. Esta é a mensagem que fica além da propagação da cultura do medo e da necessidade de segurança. O editorial do “The New York Times” apela para a tolerância e enfatiza o uso político do intolerante pastor evangélico que ameaçava queimar o Alcorão e gerou um temor mundial de novos atentados. Enfim, “casualidades” à parte, vamos aos números desta guerra contra a “intolerância”. Desde o ataque das torres gêmeas – que mataram 2.976 pessoas – a primeira represália iniciada (em 10/10/2001) contra o Afeganistão matou entre 3.000 e 4.000 civis[1] que muito provavelmente pouca ou nenhuma ligação direta tinham com os ataques às torres gêmeas e/ou com o talibã. Seu maior crime: serem mulçumanos, orientais, pobres e “fundamentalistas”. Mais uma vez a tolerância ficou em segundo plano. No Iraque, nos combates seguintes (entre 05/05 e 19/09/2004, segundo fontes governamentais), 3.487 iraquianos foram mortos e 13.720 ficaram feridos[2]. Até 2004, já eram mais de 7.000 mortos, mais do que o dobro das vítimas dos atentados de “11 de setembro”. Dentre as “casualidades” a serem adicionadas nesta contabilidade, estariam os mais seis anos de conflitos ainda vindouros e a destruição da infra-estrutura dos países “intolerantes”. Desde então, 4.418 americanos morreram no Iraque (3.495 em combate)[3], que do outro lado, estima ter perdido entre 97.757 e 106.693 dos seus cidadãos, mortos em conflito até o mês passado, em 11/08/2010[4]. Ao todo, nesta contabilidade “intolerante”, já se perderam mais de 110.000 vidas, ou seja, quase 40 vezes mais vidas que as perdidas no lastimável dia “11 de setembro”. O líder cubano, Fidel Castro, em sua coluna no “Pátria Amiga” (periódico cubano, esquerdista, de integração latino-americana e caribenha), enumerava as 238 razões para estar preocupado com a crescente onda de rivalidade e belicismo junto ao Irã[5], suposto novo alvo americano, e acrescenta ser impossível uma vitória americana contra 1,5 bilhões de mulçumanos. Enquanto escrevo este artigo, escuto via CNN, as badaladas do sino fúnebre que homenageia as vítimas das torres gêmeas em Nova Iorque. Quantos sinos ainda tocarão? O tilintar metálico das homenagens fúnebres contrasta com o das bombas sendo carregadas e dos gritos dos vibrantes combatentes ao “acertarem” os alvos (veja vídeos sobre os ataques no youtube). Diante de total intolerância humanitária, devemos nos perguntar: a quem serve o discurso da segurança e da proteção contra a “intolerância” religiosa, aos agressores ou aos agredidos?! E quem é quem neste jogo?! Estas são algumas daquelas boas perguntas, para as quais o mundo ainda aguarda respostas.
[1] http://cursor.org/stories/civilian_deaths.htm em 11/09/2010.
[2] http://www.commondreams.org/headlines04/0925-02.htm em 11/09/2010
[3] http://antiwar.com/casualties/ em 1109/2010. Uma lista descritiva, caso a caso, pode ser vista neste site.
[4] http://www.iraqbodycount.org/database/ em 11/09/2010. Lista das “casualidades” iraquianas.
[5]http://www.patrialatina.com.br/colunaconteudo.php?idprog=cc42acc8ce334185e0193753adb6cb77&codcolunista=40&cod=1655 Publicado às 8:21 de sábado, 11/09/2010, na coluna de Fidel Castro no “Pátria Latina” de Cuba, onde também podem ser lidas as “248 razões para estar preocupado”.
Respostas que talvez nunca sejam dadas, pelo menos não de forma clara e direta. Nas entrelinhas da vida a gente até sabe um pouco delas...
ResponderExcluirParabéns pelo artigo!